Água - importante e esquecida

Hidratação no esporte - CDC/ Amanda Mills

Há cerca de 3 anos atendi, no HFA, uma senhorita dos seus "quase" 30 anos, com uma queixa bastante comum: Cefaléia (dor de cabeça)

A paciente relatava que já havia passado por Otorrino, Oftalmo, Neurologista, Clínico e até Endocrinologista, com as prescrições dos mais diversos tratamentos e a presunção de várias hipóteses diagnósticas, sem qualquer melhora, entretanto. 

Durante sua consulta, entre as várias perguntas habituais, questionei acerca do quanto de água ela ingeria por dia e de que forma (ou seja, com qual periodicidade). Esta senhorita me referiu que ingeria pouca água diariamente e sobretudo à noite, porque "não sentia sede"; após mais algumas perguntas e um exame físico praticamente sem alterações, suspendi as medicações para enxaqueca e cefaléia em geral que a paciente estava tomando e disse-lhe que ela apenas precisava tomar água adequadamente; um tanto quanto descrente, após um pouco de conversa, ela voltou para casa.

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Após apenas uma semana, retornou referindo que não sentia mais qualquer dor de cabeça, que seu intestino funcionava melhor e que até sua disposição havia melhorado... Milagre? Não. Bom senso. Casos como este são bastante comuns e quando a cura não depende da simples mudança ou adequação de hábitos em nossas vidas, pelo menos algum grau de melhora está envolvido; Todos sabemos o quanto é importante uma ingestão adequada de água diariamente mas quase sempre negligenciamos a devida atenção que lhe deveria ser dada.

Para mostrar o quanto é fácil convencer-se dos inúmeros benefícios da ingestão hídrica adequada e de como fazê-la, basta observar que todos os dados fornecidos no texto que se segue foram obtidos pesquisando-se as palavras "água", " importância" e "saúde", simultaneamente, no site de busca Yahoo!Brasil, o que forneceu 40.103 referências sobre o assunto! Sendo assim, não há como justificar a falta de informação com falta de tempo, não saber onde encontrá-la, dificuldade de acesso...

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Todos os organismos vivos apresentam de 50 a 90% de água em si. O próprio corpo humano é constituído em 70% por água que, em constante movimento, hidrata, lubrifica, aquece, transporta nutrientes, elimina toxinas e repõe energia, entre inúmeras outras utilidades. Em constante renovação, um indivíduo adulto perde por dia, em condições normais, uma média de 2,5 litros de água (cerca de 800 ml pela expiração e urina, 1,2 litros pela transpiração e 0,6 litros pelas evacuações fecais). Sendo assim, um adulto normal deveria beber pelo menos este dois litros e meio diariamente, para evitar a desidratação.

Há quem pense que nunca esteve desidratado, a quem posso afirmar que a desidratação ocorre todos os dias, por várias vezes; isto porque todos os processos citados (produção de urina, transpiração e produção de fezes/urina) estão constantemente ocorrendo, o que faz da perda de água uma condição igualmente constante. Para se ter uma idéia, quando uma pessoa sente sede, a água já está "em falta" no seu organismo há algum tempo... Isto ocorre porque o corpo tem mecanismos de reduzir a perda de água, reduzindo a produção de urina, desidratando as fezes, diminuindo a transpiração e até "roubando" água da respiração para poupar sua água; quando vem a sede, o organismo está na verdade mostrando que seus reservatórios de água estão com os "níveis baixos" e que não está mais conseguindo compensar as perdas de água. Assim sendo, a ingesta de água deve ser independente da sede, constante e rigorosa. Preconiza-se um mínimo de 01 copo de 200ml de água por hora em que se estiver acordado.

E não adianta deixar para tomar os 2 a 3 litros necessários diariamente de uma só vez. Estudos mostram que o estômago capacita apenas 12 ml/kg/hora de líquidos, ou seja, um adulto não conseguirá tomar mais que 01 litro de líquido de uma só vez sem "passar mal"; some-se a isso o fato que, se houver excesso de líquido no corpo, aumenta a produção de urina proporcionalmente.

Se o leitor ainda não está convencido de que deve tomar seus 3 litros de água diariamente, basta observar que a desidratação diária ocasiona:

* Desvitalização dos cabelos, levando a sua queda e enbranquecimento;
* Descamação do couro cabeludo;
* Distúrbios de concentração, sono e memória, com perda da disposição para realização das atividades diárias, em virtude da circulação cerebral prejudicada (Uma baixa quantidade de água faz o sangue ficar mais "viscoso" e "grosso", de circulação mais lenta);
* Ressecamento dos olhos e tecidos das vias aéreas que, com baixa umidade, sofrem lesões com mais facilidade por ficarem mais frágeis, assim tornando-se mais propensos a inflamações ou infecções (conjuntivites, sinusites, bronquites, pneumonias);
* Lesões de pele e sangramentos, com o aparecimento de "cravos" e "espinhas" pela não eliminação adequada de toxinas via pele e seu acúmulo local;
* Queda e enfraquecimento dos pêlos;
* Baixa produção de saliva, levando à sensação de boca seca;
* Distúrbio no aproveitamento adequado de vitaminas e sais minerais, com excesso em alguns lugares e falta nos outros, levando a cãimbras, dormências, perdas de força muscular e problemas ósseos, dentais, etc.
* Respiração dificultada, por vezes levando a falta de ar, sobretudo aos exercícios físicos;
* Constipação e, por vezes, sangramento retal (devido a fezes ressecadas, endurecidas, que lesam o tecido intestinal ao moverem-se no seu interior);
* Cefaléias (Pela menor chegada de sangue no cérebro e Pela retenção de toxinas, não eliminadas adequadamente em virtude da baixa transpiração e produção de urina/fezes);
* Impotência ou disfunções eréteis ou, no caso das mulheres, sangramentos vaginais;

É certo que há água nos alimentos, mesmo os sólidos, mas a complementação da ingesta diária de água deve ser feita, periodicamente, conforme já disposto. Uma forma prática de checar se a quantidade de água adequada para o seu corpo está sendo tomada é observar a coloração da urina, que deve ser sempre incolor; quanto mais forte a cor, geralmente, mais concentrada está a urina, ou seja, menos água há em relação ao que está sendo eliminado.

Vale lembrar que é sempre bom evitar bebidas alcoólicas e bebidas não naturais (colas, refrigerantes, etc.). Tanto o álcool ( presente nos vinhos, cervejas,...) como a cafeína (presente nos refrigerantes de cola, café,etc.) são diuréticos e assim, embora ajudem a eliminar pelos rins os detritos metabólicos (formados durante o trabalho muscular e processos de desintoxicação e filtragem), obrigam os rins a eliminar água e os sais minerais que deveriam ser retidos para compensar a desidratação; fica, portanto, a dica de intercalar sempre a administração destas substâncias, quando feita, com bastante água ou sucos naturais. Ainda importante é ressaltar que a ingesta de líquidos deve distanciar-se em pelo menos meia hora das refeições, para não prejudicar a digestão.

Uma curiosidade: Há trabalhos científicos evidenciando que muitos tratamentos com medicações orais, sobretudo anticoncepcionais, terapia de reposição hormonal e antihipertensivos não alcançam o devido sucesso em virtude da baixa ingesta de água por parte do paciente; isto dever-se-ia tanto à má circulação da substância pelo corpo quanto pela má absorção da mesma no intestino, processo este dependente da água como veículo de transporte para a substância.

Levando-se em consideração a realidade específica da nossa comunidade, 3 comentários adicionais:

* Aos hipertensos: O rim tem papel fundamental no controle da pressão sangüínea e é o único órgão do corpo que pode parar de receber sangue caso haja desidratação considerável; sendo assim, é especialmente importante a ingesta adequada de água aos portadores de pressão alta;

* Os aparelhos de ar condicionado desidratam ainda mais o ambiente, sobre tudo as vias aéreas, tornando consideravelmente maior e mandatória a reposição de água, freqüente;

* Uma adequada ingesta hídrica, associada a dieta regular (5 a 6 refeições por dia) rica em fibras, e exercícios físicos regulares são tudo o que qualquer pessoa precisa para perder peso e/ou manter-se no seu peso ideal (Tema a ser discutido nos próximos artigos).

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Créditos:
Texto copyright © por Ícaro Alves Alcântara, médico e homeopata, Ex-docente de Semiologia, Patologia e Clínica Médica para os graduandos em Fisioterapia do UniCeub
Email: icaro@solar.com.br | site: www.icaro.med.br

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