Atletismo e Saúde

Entrevistas
Eronildes Araújo – 400m com barreiras
Entrevista realizada em Agosto de 2000 no Troféu Brasil de Atletismo

Baiano radicado em Rio Preto, Eronildes Araújo, tricampeão pan-americano, deu esta entrevista para Antônio Júnior, da Rádio Carioca AM 710, durante o Troféu Brasil. De maneira simples, ele fala sobre o atletismo brasileiro e de sua esperança de conquistar uma medalha em Sydney.


Antônio Júnior :
Como você viu a prova de hoje com uma marca muito boa? E em relação a Sydney?
Eronildes Araújo: Estava um sol excelente, já que eu gosto muito de correr com sol, e foi uma boa prova e uma bom resultado. Agora é treinar mais forte ainda para chegar bem condicionado à Sydney buscando uma final e quem sabe uma medalha.

AJ : Faltando pouco mais de um mês para Olimpíada qual é a sua expectativa em relação ao tempo para conseguir medalha?
Eronildes Araújo : Não podemos prever tempo. Quero estar bem preparado para ir bem nas provas preliminares e semi-final e chegar à final, o que para mim já é o bastante. Conseguindo estar na final, dá para brigar para ficar entre os três primeiros.

AJ : Quais são as maiores dificuldades que você enfrenta?
Eronildes Araújo : Em termos de patrocínio estou bem, mas em termos de materiais e condições ainda está horrível. Estou treinando numa pista ruim em Rio Preto, e a de Presidente Prudente que estava ruim agora está pior ainda. Também treino sozinho já que meu treinador, o Jaime, está em Presidente Prudente. Então fica meio complicado. De qualquer forma, estou fazendo o possível para chegar bem em Sydney. O negócio é brigar para que os novos atletas não passem o que está acontecendo conosco.

AJ : E o que falta para o atletismo do Brasil ser uma potência?
Eronildes Araújo : Você pode ver que estão saindo três ou quatro atletas de Presidente Prudente pois a pista de lá está horrível. Nós estamos numa briga de oito anos para a situação de lá melhorar e até agora nada.

AJ : Em Sydney quais serão seus principais adversários?
Eronildes Araújo : Todos estão bem preparados. A vitória será de quem estiver bem no dia.


História - 400m com barreiras nas Olimpíadas:

Esta modalidade fez sua estréia timidamente em Paris 1900, contando com apenas cinco competidores. Na Olimpíada seguinte, em St. Louis, um número menor de atletas : apenas quatro. Ainda seria disputada em Londres-1908, mas não fez parte do programa de Estocolmo-1912.

Os 400m com barreiras só voltariam com força depois da primeira guerra mundial, em Paris-1924, contando com 23 competidores e tendo como vitorioso o americano Morgan Taylos com 52.6. A supremacia americana, que vinha desde 1900, foi quebrada em Amsterdã-1928 pelo britânico David Burghey que venceu em 53.4. Na Olimpíada seguinte, em Los Angeles, o irlandês Robert Tisdall venceu em 51.7. Esta marca seria recorde do mundo, mas o regulamento da época não reconheceu o tempo pois o irlandês tocou o pé em uma barreira.

Em Berlim, 1936, o Brasil teve grande participação com Sylvio Padilha chegando na quinta colocação em 54.0. A prova foi vencida pelo americano Glenn Hardin em 52.4. Outro grande atleta brasileiro da modalidade foi Antônio Eusébio Ferreira que chegou a duas semifinais, em 1980 e 1984, com os tempos de 52.31 e 50.70 respectivamente.

Fonte : De Atenas a Atlanta, Maurício Cardoso, Ed. Página Aberta, 1996.

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