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Antônio
Júnior: Como você
viu o Troféu Brasil?
Nélio Moura: Achei o nível
técnico elevado e estou contente com o desempenho dos atletas que eu
e a Tânia treinamos. Isto demonstra que o nível geral do atletismo
brasileiro está crescendo.
AJ:
E sobre o trabalho muito bom que a
Funilense tem feito?
NM:
A Funilense tem vários núcleos. O que eu trabalho no Ibirapuera, em
Campinas, Presidente Prudente. No Ibirapuera temos o apoio do Projeto
Futuro da Secretaria de Esportes e Turismo de São Paulo e com isso
canalizamos recursos da Confederação, Funilense e do Projeto para
darmos ótimas condições de treinamento aos atletas.
AJ:
De um modo geral como está o apoio ao atletismo hoje?
NM:
Tem um potencial muito grande para melhorar em função do que está
acontecendo dentro da pista. Os atletas estão evoluindo e chamando
atenção da mídia. No momento vivemos um período de crise até
certo ponto compreensível em função de ser um ano pós-Olímpico.
Temos poucas equipes investindo no atletismo, mas confio que poderemos
trazer mais patrocinadores e ter mais equipes e empresas apoiando.
AJ:
Dentre seus atletas está o Jardel que vem sendo apontado como uma
promessa. O que você acha do futuro dele?
NM:
Nós temos um grupo muito jovem treinando conosco em provas de salto.
Como são provas técnicas, demora-se muito tempo para atingir o alto
nível e o Jardel com pouco mais de 2 anos no salto triplo já é um
dos melhores do mundo.
AJ:
Qual a idade e melhor marca dele?
NM:
20 anos e 17,13 cm. Entre o 10 primeiros do ranking mundial.
AJ:
Você acha que ele tem condições de chegar a uma final Olímpica ou
até mesmo conseguir medalha? E quanto tempo você acha que será
necessário para isto?
NM:
A possibilidade de ser finalista é concreta e imediata. Vamos ter o
Campeonato Mundial no mês de Agosto e ele tem chance de ser
finalista. Numa final costumamos dizer que qualquer um tem chance de
subir no pódio. Agora o objetivo dele é chegar na final e com mais
uns 3 anos de treinamento e competição em alto nível ele será
sempre candidato a medalha.
AJ:
Recentemente numa entrevista o treinador da Ulbra fez uma crítica ao
Jardel e aos treinamentos que vocês fazem. O que está ocorrendo já
que sabemos que o relacionamento no atletismo é bom?
NM:
Eu não tenho muito contato com ele por questões geográficas. Ele
não viu o salto do Jardel e citou uma reportagem que teria saído na
Folha de São Paulo, mas que era uma informação de segunda mão. A
única coisa que eu e o Jardel falamos do João do Pulo é que ele
continua sendo modelo de técnica até hoje. Ou seja, o oposto do que
falaram pra ele. Entendo que ele tenha ficado magoado, mas o que
interessa é termos tranqüilidade para fazermos o nosso trabalho com
o Jardel, a Maurren e o Thiago que foi campeão mundial de
menores.
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