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42.195 Metros - Uma distância considerável, difícil mas não impossível. Muitos atletas se assustam com tudo isso, confesso que para mim já não está mais sendo um "bicho-de-sete-cabeças", pelas próprias experiências, vamos lá!!
Um atleta experiente considerado de "elite", tira de letra porque tem preparo para tanto.
Muda tudo no caso dos corredores amadores que são a maioria. Tive duas experiências fantásticas nesses dois últimos anos em Curitiba. Em 2002 quando fiz o relato que está no site, treinei apenas até 21 km, corri mais confortavelmente até 30 km, depois intercalei com alongamentos, caminhada e corrida para fechar com 4:00:01, errei por 1 segundo!!
Agora em 2003, no último dia 16 de novembro não corri, mas vou relatar a experiência com meus atletas. Vamos considerar a altitude de Curitiba próxima de 900 metros, o calor forte daquele domingo, enfim, a competição fica mais bonita, mas a dificuldade aumenta muito.
Muitos seguem ritmados até o final, com uma pequena alta do tempo mas completam bem, sinal de que fizeram a "lição de casa".
A maioria extrapola, saem completamente do ritmo, não consideram os fatores que interferem para uma pessoa normal, elas não figuram na "elite" da competição para colocar o corpo naquele esforço que ultrapassa os limites da "boa saúde"!!
Muitos vêm de
overtraining, "competem nos treinos e não conseguem nem treinar nas competições", isso é o mais comum.
Os tempos finais ficam altos, acabam completando perto de 5 horas quando deveriam ficar pelo menos próximo de 3 horas e meia, já que treinam demais.
Coloco aqui o relato do casal Analberto e Luciana Souza de Belo Horizonte, fiz um treinamento com eles de apenas
dois meses.
Tentei convencê-los a não participar dessa distância, deixando para o próximo ano, me disseram que já estava tudo confirmado, nem que completassem no tempo máximo permitido de 6 horas.
Eles nunca tinham feito meia maratona, fizeram em Curitiba 4:50:07, estão de parabéns!!
Foram com consciência respeitando os limites do corpo. Num único percurso longo de 30 km que projetei para eles, tiveram
dores musculares
a partir do km 24, chegando nos 30 km "quebradinhos".
Desta forma, elaboramos um plano para fazer os 42.195m intercalando caminhada, corrida e alongamento. Nesse caso, a primeira parte da corrida, foi programada num ritmo confortável até 16 km, se estivessem bem poderiam chegar até a metade. Não tem como fazer caminhada logo nos primeiros 10 km, já que estão descansados, ficando complicado ver todos sumirem pela frente, o psicológico nesse caso interfere no desenvolvimento da corrida.
Então, a estratégia foi deixar boa quilometragem para trás, acompanhando a massa de corredores até próximo da metade da prova, isso dá um incentivo e tanto!!
E foi assim, a partir daí os alongamentos, caminhadas, corridas e a concentração foram fundamentais.
Com autorização do casal Analberto e Luciana Souza, transcrevo abaixo o e-mail que recebi deles depois da maratona:
"Luis,
Confesso que o mais importante é você começar uma prova dessa, com a programação na cabeça, não mudar e acompanhar fielmente o planejado.
Os intervalos de caminhada e alongamento foram fundamentais. A partir do km 30, utilizamos mais alongamentos, intercalando-se com 400m de caminhada, depois corridas, foi mais produtivo; "conforme sugerido por você nas instruções".
Em relação ao treino de 30 km, ficamos muito mais cansados fisicamente do que na prova. O nível de concentração foi fundamental. A gente começa a prova com um grupo de pessoas e vai se acostumando com elas porque o ritmo é similar ao seu. Entretanto, a partir do km 21 demos a primeira pausa e este grupo se foi, ficamos meio isolados, sensação ruim, mas segurando o ritmo e concentração, afinal são mais 21 km. A recompensa veio no km 33, encontramos aquele pelotão que estava junto conosco na primeira parte, foram ficando para trás.
Luis, o cuidado era tanto que no km 40 paramos numa banca para comprar uma coca-cola (lembramos de você), ajudou bastante, foi uma hidratação a mais para o fôlego final.
Mais para o fim de semana te informo a condição física da
musculatura."
Minha conclusão:
42.195 metros deixam de ser aquele "bicho-de-sete-cabeça", com um bom planejamento, disciplina e critério. Nosso corpo tem limites e devemos respeita-lo. Nas duas últimas maratonas de Curitiba, vi muita gente fazendo diferente, expondo o corpo ao "exagero" através do esporte, deveria ser o contrário,
"boa saúde através do esporte"!!
Participar de várias maratonas no mesmo ano, fazendo parte das maiores festas do esporte, pode ser um prazer saudável, divertido e acessível, "o esporte pelo esporte" nos trás alegria, auto-estima e vontade de viver.
A felicidade é tão grande do tamanho de uma "MARATONA" !!! Vamos aprendendo sempre, a vida nos ensina...
Profº Luis Antonio Sturian/CREF 04064-G/SP
Colaborador do site www.copacabanarunners.net
Diretor da Equipe VOU TREINAR de Competição
Site: www.voutreinar.com.br
E-mail: voutreinar@voutreinar.com.br
Créditos:
Texto copyright © 2003 por Luis
Antônio Sturian
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