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Era dia da corrida, havia treinado muito e a muitos meses, treinos fácies e duros, ladeiras, tiros, longas, acordando bem cedo todos os dias e largado festas as vezes para correr fim de semana, agora era hora de colher os frutos de tudo isso e confirmar numa boa corrida todas as boas corridas que havia dado com prazer durante este tempo, boas e belas corridas durante meses a fio.
O tiro de canhão explodiu e todos como num estouro de boiada botaram-se a frente a tentar um espaço para prosseguir, porque todas essas pessoas faziam isso, pensava as vezes, digo porque corriam e corriam dia após dia para depois correrem aquela grande
distância juntos, parecia uma festa, uns gritando e outros cantando, uns fantasiados e outros equipados até a última geração de equipamentos especiais, aqueles primeiros quilômetros eram de alegria e incentivo mútuo, ele sabia que haveria varias fases durante a corrida, aquela festa iria se transformar até a chegada, haveria muitos abandonos, dores, a realidade iria bater em muitos, de irem a festa sem serem convidados, muitos mesmo convidados cairão como embriagados de bebida e também abandonarão a festa carregados, mas os guerreiros irão vencer e sair da festa cansados, mais felizes de aproveitar a festa toda e já pensarão em outras festas. Mas porque esta grande festa, porque ano após ano sempre procuram a grande festa para participar, os chineses dizem que das sete formas de se fugir da realidade a melhor delas é a corrida, um pouco forte este fugir, melhor usar se
desprende , ficar imune a uma realidade dura que a evolução gerou, existe química também, vício, bem estar generalizado, são muitos os motivos, e as vezes as palavras não são suficientes para se definir.
A festa já ia noite a dentro e já estava mais vazia, os rostos se transformaram, e a bebida já fazia efeito, mas ainda era uma festa e ela tinha que prosseguir, o calor tomava conta de tudo e a
música do mundo fazia as mentes insanas viajarem por tudo que eram e faziam e por vezes falavam coisas sem sentido e iam em frente, quando a madrugada chegou e a festa ia acabar, percebeu que estava correndo uma maratona e apesar da dor, quem comandava não era o corpo
mas a mente, e aí não existe limites, o que existia era um mágico fim de festa, onde mentes cansadas e alegres se abraçam e se beijam para irem descansar, cruzou a linha de chegada e agradeceu ao seu amigo vento a gostosa festa que havia acabado de participar.
Texto ©
2004 por Fernando Prado
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