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Musculação feminina - Benefícios para a mulher

Musculação de Lyen Wong - Foto de Kolja Platen

Vimos na matéria anterior que a questão do desenvolvimento exagerado dos músculos femininos das fisiculturistas, no mínimo nos leva a uma reflexão e que só é possível à custa de uso de anabolizante. Logo, o treinamento de força para as mulheres não difere dos homens no que se refere a métodos, séries e intervalos. 

Só a carga é diferente devendo ser adequada individualmente de acordo com a idade o grau e o nível de aptidão física de cada uma. As características fisiológicas dos músculos de ambos os sexos são as mesmas, portanto mesmas respostas a estímulo e ganho de força que normalmente atinge o ápice ou próximo dele, depois de três a cinco meses de treinamento. Justamente pela diferença de produção do hormônio testosterona, a mulher pode desenvolver até 2/3 da força máxima do homem. Depois dos cinco meses de treinamento o homem continua a desenvolver e hipertrofiar os músculos. 

Quanto a percentual de evolução de força física, trabalhos bem conduzidos por Santarém et al. 2000 em mulheres idosas, ficou constatado ganhos significativos em todos os grupos musculares avaliados: peitorais, costas, ombros, braços, pernas e abdômen. Outros autores, tais como Sale 1982, Fleck 1997, Weineck 1991 concluíram que o desenvolvimento da força se dá em picos até uma certa idade. Sendo assim, na infância e início da adolescência não existe uma diferença tão marcante entre os sexos. Na mulher o valor máximo pode chegar em torno dos 25 anos declinando mais ou menos rápido dependendo dos hábitos de vida saudável onde se inclui prática de atividade física regular

Entretanto, a perda por destreinamento (desuso ou parar de treinar), não se dá da mesma forma. A perda de força nos membros superiores é maior do que nos membros inferiores que além da massa muscular maior, mesmo voltando a ser sedentárias, as pessoas continuam usando as pernas para andar, subir lá uma vez ou outra uma escada, sentar e levantar. Isso ficou comprovado, entre outros autores, por Andrade et al., 1995. 

A perda de massa muscular, depois de atingir o pico, se dá gradativamente ao longo do resto da vida acentuando-se a partir dos 60 anos de idade. Essa perda costuma vir acompanhada de alterações no sistema nervoso, hormonal, entre outras funções, caracterizando o fenômeno conhecido por sarcopenia. Embora a tradução da palavra signifique “perda de carne” (sarx = carne, penia = perda), o termo costuma ser associado ao conjunto de alterações que levam à perda funcional principalmente do idoso. 

Sendo assim, o principal álibi pare se recomendar treinamento de força para as mulheres é justamente a manutenção da força física tão importante para as atividades funcionais. Além disso, como citado na semana passada e se liga nisso, o modelo feminino estético mais explorado na mídia ainda é o venusiano da mulher formosa, com músculos discretos, torneados, sem “pneuzinhos”, “cintura de pilão” e com aparência sempre jovem como as atrizes. O percentual de gordura é a grande preocupação da maioria das mulheres e já existe consenso que o treinamento de força ajuda a emagrecer. 

Outro grande benefício é com relação ao melhor controle e convívio com a TPM. Várias pesquisas e levantamentos feitos em academia demonstraram que 70 a 95% das mulheres sofrem com os sintomas desse mal relacionado de alguma forma com a variação e/ou transição dos níveis de estrógenos e progesterona que podem, entre outras reações relatadas, levar a efeitos depressivos por conta de supostos desníveis da serotonina, mensageiro químico cerebral (neurotransmissor) responsável também pelo humor. Alguns trabalhos mostram que a musculação estimula a produção de hormônios anabólicos e ou substâncias opiáceas tais como a betaendorfina tendo como resposta mais evidente um melhor convívio com o humor

Quem pensa em qualidade de vida, mais músculos significa muitos benefícios principalmente no que diz respeito à prevenção de doenças tais como a osteoporose, diabetes, obesidade, hipertensão arterial, além da indiscutível melhora da auto-estima face à independência dos movimentos funcionais especialmente em idades mais avançadas. Sentar e levantar da cadeira, deitar e levantar da cama, andar, pegar ônibus, subir escadas, carregar compras, atravessar as ruas depressa além de andar pelas calçadas cheias de buracos exige no mínimo boa musculatura. Uma musculatura forte. Claro, sem exagero! 

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