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Plantas medicinais - é preciso atenção!

Contaminação, adulteração e falta de comunicação. Esses três fatores, aliados a problemas de regulamentação e fiscalização, tornam o uso indiscriminado de plantas medicinais um problema muito maior do que pode parecer. O lema de que “não faz mal para a saúde por ser 100% natural” não pode ser levado ao pé da letra.

"Grande parte dos consumidores de plantas medicinais sente-se encorajado por acreditar que esses remédios, por serem naturais, são inerentemente seguros. A influência da imprensa na difusão de informações errôneas sobre os efeitos das plantas medicinais é muito grande e, além disso, sem qualquer controle na maioria dos países”, afirmam Valdir Veiga Junior e colaboradores no artigo Plantas medicinais: cura segura?, que acaba de ser publicado pela revista Química Nova.

Citando estudos realizados no Reino Unido e na Alemanha, o artigo informa que as informações distorcidas divulgadas pela mídia geram um aumento do uso de plantas medicinais pelo forte apelo de que não existe, nesse caso, contra-indicações. Outro problema é que a metade dos consumidores que utiliza produtos naturais não informa isso a seus médicos particulares.

O artigo mostra que a hipersensibilidade é um dos efeitos colaterais mais comuns causado pelo uso de plantas medicinais. “Ela pode variar de uma dermatite temporária até um choque anafilático”, dizem. Várias reações tóxicas também são descritas para plantas muito comercializadas em mercados e feiras por todo o Brasil. A contaminação por metais pesados ou a interação com medicamentos convencionais também estão presentes.

Para os pesquisadores, algumas regras gerais podem ser adotadas: “Deve-se evitar longas terapias, já que o uso de medicação natural não significa ausência de efeitos colaterais ou tóxicos; evitar o uso associado de plantas medicinais com medicação alopata; deve-se dar atenção aos produtos naturais de origem chinesa e hindu, porque existe a possibilidade de presença de metais pesados, e deve-se sempre adquirir o vegetal de fontes seguras”.

Indivíduos mais vulneráveis, como crianças, mulheres grávidas ou em lactação, devem evitar o consumo de plantas medicinais, segundo o estudo. Caso surjam efeitos adversos da medicação natural, o tratamento deve ser interrompido imediatamente, alertam os pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Fonte: Agencia Fapesp, 21/06/2005.


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