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Segundo o Ministério da Saúde (1998), no Brasil a cada ano nascem cerca de oito mil bebês portadores da Síndrome de Down. Para Gallagher, 1990 representa um a cada dois mil nascidos vivos, independente de raça, gênero ou classe social, razão suficiente para haver mais estudos e especialização de profissionais para cuidar dessas crianças.
Na semana passada vimos que, se liberadas pelo médico elas devem fazer atividade física. Também vimos que a questão respiratória acompanhada da hipotonia muscular a natação é aconselhada por não ser uma atividade natural do ser humano tendo que aprender a dominar as características físicas da água para flutuar, se deslocar e respirar. A respiração requer atividade constante dos músculos escaleno, intercostais internos e externos ajudando a reverter a hipotonia muscular. Além disso, existe consenso entre os fisiologistas apontando a natação como uma das melhores atividades capazes de desenvolver a capacidade cardiorrespiratória. Essa valência física é essencial para as atividades funcionais do ser humano. Ou seja. Andar, correr, brincar, passear, subir escadas, trabalhar e viver normalmente sem se cansar.
Existem poucos trabalhos nessa área, entretanto um dos disponíveis na Internet conduzido pela professora Rita de Cássia P. P. Homem e Jônatas F. Barros, da Faculdade de Educação Física UnB. Através de testes em ciclo-ergômetro, mediram o consumo sub-máximo de oxigênio e a ventilação-minuto sub-máxima de 23 indivíduos, sendo 11 do sexo masculino e 12 do sexo feminino, com idades variando entre 14 e 43 anos portadores da Síndrome de Down participantes de atividades esportivas no Núcleo de Atendimento Esportivo para Pessoas Portadoras de Deficiência Mental (NAEPPDM) da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (UnB). O objetivo foi comparar a capacidade cardiorrespiratória dos indivíduos praticantes da natação com os praticantes do tênis de campo, atletismo, escalada, hóquei sobre piso, handebol e futebol de salão, pelo menos 50 minutos três vezes por semana, atividades oferecidas pelo Núcleo. Embora o resultado não tenha sido expressivo, na população estudada o grupo da natação demonstrou maiores níveis de aptidão cardiorrespiratória. Além disso, o grupo alcançou o percentual de freqüência cardíaca proposto pelo teste enquanto os praticantes das outras modalidades interromperam o teste antes de alcançar o objetivo. O trabalho mostrou os meninos possuindo capacidade cardiorrespiratória maior que as meninas e todas, em qualquer modalidade esportiva, fisiologicamente falando se desenvolvem da mesma forma que as não portadoras.
O fato das crianças praticantes das outras modalidades ter interrompido o teste não significa incapacidade. Se comparadas com as que, por vários motivos não fazem atividade física, ainda assim possuem capacidade cardiorrespiratória maior.
Um outro estudo conduzido por Alessandra Deboletta, Regina Célia D. Galvani e Paula A. Magnani Seabra da Universidade de Marília concluiu que portadores da Síndrome se interessam pela atividade física. No caso o estudo foi realizado entre freqüentadores da APAE das cidades de Pompéia e Marília SP tendo como objetivo relacionar a prática da atividade física com a melhora intelectual e rendimento nas outras aulas. O resultado apontou que 24% dos portadores preferem o futebol seguido por 20% do basquete e 20% a natação e todos obtiveram melhora substancial no relacionamento e rendimento nas outras aulas. Isso ressalta a importância do profissional de Educação Física conduzir a atividade física para as preferências das crianças pensando no desenvolvimento global e não o rendimento puramente esportivo.
Outra atividade apresentando ótimos resultados físicos e psíquicos aos portadores da Síndrome é a equoterapia. O andar à cavalo induz à execução de movimentos tridimensionais horizontais (direita, esquerda, frente e trás) e verticais (para cima e para baixo) atuando no sistema nervoso profundo responsável pelas noções de equilíbrio, distância e lateralidade dando à criança confiança e coordenação. Importante. A equoterapia só é permitida ao portador da Síndrome que não tenha instabilidade Atlanto-Axial. No mais, é deixar as crianças se desenvolverem com cuidado, sem exageros e sem preconceito.
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