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A tosse é sintoma de inúmeras alterações e, por isso, merece atenção. Remédios para inibi-la não são necessariamente o melhor caminho, em especial quando se trata de auto-medicação. "A tosse é um reflexo natural do aparelho respiratório que surge como conseqüência de um processo irritativo. O mais importante é identificar qual é o fator causal, ou seja, o que está por trás dela", orienta o pneumologista Paulo Feitosa, coordenador de pneumologia da Secretaria de Saúde e do corpo clínico da Amil.
Tossir é sintoma presente em muitas doenças, como o resfriado e a sinusite. Em muitos aspectos, o reflexo
natural da tosse é benéfico: ajuda a expulsar secreção ou corpos estranhos. "Há dois tipos de tosse: a seca e a produtiva. É a presença ou não de muco que estabelece a diferença. A tosse produtiva está ligada a infecções, nela há secreção a ser eliminada. Já a tosse seca está mais relacionada à bronquite e à mudança de temperatura", explica Dr. Paulo.
Para o médico Paulo Feitosa, Coordenador de Pneumologia da SES, a tosse também pode ser classificada pelo tempo como tosse aguda e tosse crônica. A crônica, por durar mais de 15 dias, pede mais atenção. Ela pode estar ligada a doenças graves ou ter, até mesmo, motivação psicológica.
"Quando a causa é infecciosa não se tem muita dificuldade no diagnóstico, podendo se instituir tratamento adequado. O problema é quando a tosse não apresenta infecção, pois pode estar relacionada com afecções fora do aparelho respiratório, como por exemplo, nos seios da face - sinusites - e no esôfago - refluxo gastroesofágico", esclarece o médico.
Em relação ao cigarro, Dr. Paulo alerta que a fumaça é exímia provocadora da tosse. "Com o passar dos anos, o fumante pode adquirir bronquite crônica e ter tosse e pigarro freqüentes. Nesse caso, pode ser sinal de moléstias importantes como doença pulmonar obstrutiva crônica e até câncer", explica o médico. Para Dr. Paulo, um dos principais nomes ligados ao movimento anti-tabaco no País, o único caminho adequado é abandonar o cigarro - que é a principal causa evitável de câncer, responsável por mais de 30% dos diagnósticos da doença.
Quanto aos xaropes, as orientações médicas são bem claras. "Na maioria das vezes, os vendidos nas farmácias não trazem benefícios. O paciente pode ter mais de uma causa de tosse, com isso o tratamento se torna mais complicado e conseqüentemente prolongado. Por vezes são necessários exames complementares, pois a tosse crônica continua sendo um desafio médico. Para se ter uma idéia, há pacientes que tossem por anos. Portando, para todos os casos a consulta ao médico é necessária", finaliza Dr. Feitosa.
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