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Tratamento da bulimia e anorexia - Perguntas e respostas

1) Como eu faço para conseguir fazer com que nossa filha procure tratamento médico, se ela não se acha anoréxica?
Esse é um caminho meio difícil, às vezes. Quando entendemos que nos casos de anorexia encontramos uma distorção na real imagem do corpo, temos que pensar que, a princípio, o paciente não se acha de verdade doente. Uma boa conversa, colocando a preocupação de vocês, deve ser suficiente. Um bom argumento é o de que: "Se não existe nada mesmo de errado, não custa nada termos a certeza ouvindo a opinião de um especialista" (algo assim como um exame de rotina que se faz para ver se esta tudo bem).

Em casos de resistência, em se tratando de ser a anorexia uma patologia de graves conseqüências, se deve intervir de maneira mais autoritária, usando de suas prerrogativas de cuidadores. Uma vez iniciado o tratamento, certamente os profissionais engajados colaborarão de toda forma para que haja uma perseverança nas etapas do tratamento, criando a tão necessária conscientização para que tudo ocorra da melhor forma possível.

2) Terei que ir a um médico? Não bastaria consultar um psicólogo em casos de bulimia ou anorexia?
O trabalho realizado com a psicoterapia cognitivo-comportamental é de fundamental importância. É ela que vai ajudar na recuperação da estima pessoal, na reavaliação das crenças pessoais, no controle dos pensamentos que estão causando prejuízos, e principalmente na recuperação da auto-imagem já distorcida pelo transtorno. Porém, é com o médico que se fará a adaptação da medicação necessária para o tratamento e o acompanhamento dos resultados obtidos para uma possível mudança de conduta na direção tomada.

Além do médico e do psicólogo, é extremamente recomendado e, às vezes, indispensável, o acompanhamento pelo nutricionista, que se encarregará da instrução alimentar e da reeducação nutricional, construindo junto ao paciente uma nova consciência que o possibilite nutrir-se de uma forma que equilibre suas expectativas estéticas com uma vida saudável.


3) Se eu decidir fazer o tratamento para bulimia ou anorexia, terei de tomar remédios?
Normalmente sim. Cabe vermos a importância de nos libertarmos um pouco sobre o preconceito do uso de medicamentos psiquiátricos. Os chamados "Tarjas Pretas" assustam por demais a maioria das pessoas. Nesse ponto vale a regra para qualquer tipo de medicação: Se não for necessária, nenhuma indicação. Se for necessária: A medicação certa na dose certa.

Encontramos em nosso meio, com muita freqüência, o uso indiscriminado de todo tipo de medicação: Analgésicos, antiinflamatórios, antibióticos, pílulas anticoncepcionais, e tantos outros, que podem causar enormes prejuízos a vida de qualquer um se não forem corretamente administrados pelo médico. Com freqüência usamos aquelas medicações que foram "boas para a vizinha" ou que "minha amiga tomou e foi ótimo" . Isso sim representa perigo para a nossa saúde.

As medicações usadas para os transtornos do comportamento, de uma maneira geral, são muito mais seguras do que normalmente se pensa, mas devem ser prescritas por profissionais capacitados como qualquer outra medicação.

4) Que tipo de remédios terei que tomar para tratar a minha bulimia?
Tudo vai depender da avaliação do seu médico e da evolução do tratamento em questão para a bulimia. Comumente usamos medicamentos que atuam no aumento dos níveis de serotonina (um importante neurotransmissor) nas sinapses, entre outros. Esses medicamentos são comumente conhecidos como antidepressivos, mas é importante destacarmos que essas substâncias são úteis em uma infinidade de casos, entre eles os relacionados aos transtornos alimentares. Esse conhecimento é importante, porque muitas vezes encontramos uma certa resistência do paciente que diz: Para que irei tomar um antidepressivo se não me sinto depressiva? A serotonina e outros neurotransmisores são importantes na comunicação entre um neurônio e outro, fazendo uma espécie de "ponte" para que as informações possam ser transmitidas. Desse modo, muitos benefícios podem ser alcançados se estivermos com as dosagens reguladas desse e de outros neurotransmisores; fazendo com que seu uso possa ser importante no tratamento dos transtornos alimentares, nos casos de TOC (transtorno obsessivo compulsivo), no controle da ansiedade, no transtornos de pânico e nas depressões, entre outros.

Outras substâncias, como as que atuam nos circuitos dopaminérgicos ou noradrenérgicos; ainda os estabilizadores do humor e os ansiolíticos também podem ser usados.

5) Esses remédios que vou tomar irão me engordar?
A medicação prescrita nos transtornos alimentares tem como objetivo principal ajudar o paciente a reencontrar o equilíbrio necessário para que ele se liberte de seu transtorno e possa restabelecer uma alimentação saudável, associada com um corpo saudável, recuperando prazer em si mesmo e na vida.

Entendemos o quanto é importante para alguém que sofre com os transtornos alimentares a manutenção de um peso que lhe dê satisfação.

Entre as opções de medicamentos disponíveis, procuramos sempre a combinação que possibilite a manutenção do peso ideal para que não seja gerada no paciente uma sensação de frustração por um inesperado ganho de peso.

6) Quanto tempo leva o tratamento para bulimia e anorexia?
Tudo vai depender da resposta ao tratamento. Mais uma vez é importante salientarmos que as medicações usadas nesses casos têm como objetivo o estabelecimento do ponto necessário para que o cérebro possa readquirir sua capacidade de avaliar de forma equilibrada a relação entre forma física, alimentação e saúde, principalmente.

Os tratamentos com medicações que atuam nos neurotransmisores dependem de um tempo maior para que possam se tornar eficazes, e de um tempo ainda maior para que haja a manutenção de seus benefícios, até que o cérebro "aprenda" a se virar sozinho através da cognição recebida nesse processo. Normalmente um período mínimo de seis meses a um ano é necessário, sabendo-se que este tempo pode ser extendido.

O que se precisa de fato entender, é que não há nenhuma conseqüência negativa importante em se usar, por mais tempo que o esperado, a medicação necessária para se estar bem.

7) Não ficarei com dependência desses remédios?
Negativo. Definimos o termo dependência quando usamos uma determinada substancia que nos dá um determinado tipo de "benefício" no seu uso, e que quando deixamos de usá-las nos sentimos ainda pior do que antes, fazendo com que não consigamos mais ficar sem aquela droga.

Outro termo importante é o que se refere ao efeito que chamamos de tolerância. A tolerância acontece quando uma droga aumenta os níveis de alguma substância, e, a partir de sua retirada, os níveis dessa substância começam a diminuir, obrigando que a dosagem usada seja, cada vez mais, aumentada. A dependência e a tolerância são comumente encontradas no consumo do álcool, do cigarro, da maconha, da cocaína, do uso inadequado de ansiolíticos, entre outros.

As medicações prescritas nos transtornos comportamentais, quando usadas de forma conscienciosa, não causam nem dependência, nem tolerância.


















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Créditos:
Texto de Elson Mota - Médico, Psiquiatra e Terapeuta
Home-page : www.medicinadocomportamento.com.br

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