Entrevistas
Na premiação da Maratona do Rio 2000
Entrevistas realizadas em Julho de 2000

Rizoneide Wanderlei – 1ª colocada na Maratona do Rio-2000 em 2:43:53

Considerada um talento nato, a hexa-campeã de Cross Country, Rizoneide Wanderlei, fala um pouco de sua carreira e planos para Antônio Júnior da Rádio Carioca 710 AM. Ela mostra determinação e persistência ao apontar como principal objetivo a maratona olímpica em Atenas 2004.


Antônio Júnior :
Como foi vencer a maratona ?
Rizoneide Wanderlei : Foi o melhor presente que poderia ganhar. Vencer uma prova importante, como esta maratona, nesta cidade maravilhosa e esportista foi ótimo. E também porque o meu clube, o Vasco da Gama, é daqui do Rio.

AJ : O tempo foi o que você esperava ?
RW : Foi excelente ! Nunca esperei que pudesse fazer um tempo deste numa temperatura elevada. Esta maratona é uma prova para se ganhar sem se preocupar com o tempo, e mesmo assim fiz um tempo excelente.

AJ : Você começou a correr quando ?
RW : Eu comecei no ano de 1988, e ainda neste ano já comecei a viajar para fora do Brasil com apenas 6 meses de treino. Fui campeã durante 6 anos do campeonato brasileiro de Cross Country e fui para sul-americanos, ibero-americanos e mundiais. Também fui 6a na São Silvestre neste 12 anos de carreira.

AJ : Quais os projetos ?
RW : Eu pretendia ir para a Olimpíada, mas me machuquei e não consegui a classificação. Espero que daqui a 4 anos possa estar em forma para disputar a maratona olímpica.

AJ : Quais as provas mais importantes que participou ?
RW : O mundiais de 15 km em Oslo, de ½ maratona na França em que fiquei em 10o lugar, e vários de Cross Country sem falar no 6o lugar da São Silvestre em 92, 4o lugar na Maratona de São Paulo e na 1a ½ Maratona do Rio e a vitória na ½ Maratona Internacional de SP.

AJ : Quais são suas principais adversárias ?
RW : A Viviane Anderson, Marlene Furtado e a Janete Mayal que está voltando.

AJ : Como você vê o apoio que o Vasco vem dando ao atletismo brasileiro ?
RW : Ë importante pois, além de tudo, eles estão fazendo intercâmbios com equipes de SP que estavam em extinção, existindo o Vasco RJ e SP.

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Jonatas Amil – 3o colocado na Maratona do Rio-2000 em 2:19:24

Correndo maratonas por apenas 2 anos, este atleta do Pará se surpreendeu com a 3a colocação. Após competir vários anos nos 10.000m, ele mostra grande evolução na maratona e promete uma ótima participação em Nova Iorque este ano.

Antônio Júnior : E chegou numa boa colocação, não ?
Jonatas Amil : É, eu me surpreendi, nunca tinha chegado nesta colocação. A melhor posição tinha sido 20o na maratona de São Paulo com 2:26 e Porto Alegre com 2:23. Vinha treinando muito para conseguir um bom tempo e o 2:19:24 foi uma alegria.

AJ : O que achou do percurso ?
JA : Foi ótimo. Treinei muito em ladeira e me senti bem no plano. A temperatura foi boa para mim pois estou acostumado ao clima de Belém

AJ : E os planos para o futuro ?
JA : Meu objetivo é correr em Nova Iorque no dia 3 de Novembro representando o Brasil, já que ganhei a passagem devido à minha 3a colocação.

AJ : Qual é seu objetivo em Nova Iorque ?
JA : Correr entre 2:13 e 2:15.

Moacir Marcone "Coquinho" – Treinador

Mais conhecido como Coquinho, Moacir Marcone, treinador da vencedora Rizoneide Wanderlei, dedicou toda sua vida ao atletismo. Depois de ser um dos maiores fundistas brasileiros na década de 80, ele continuou sua excelente carreira no atletismo como um treinador vitorioso.

Antônio Júnior : Como foi sua vida como atleta ?
Moacir Marconde : Apesar das dificuldades que temos no Brasil, e eu paguei muito por falta de técnicos especializados, consegui minhas vitórias e glórias como o 2:13 na maratona de Roma na qual fui 3o colocado, 1:03 na ½ maratona e 29:15 nos 10.000m. Eu acho que foram grandes feitos para a época.

AJ : Qual a diferença básica da vida como treinador para a de atleta ?
MM : Hoje a minha vida é aprender e me atualizar, dentro e fora do país, com os melhores técnicos do mundo. Hoje o maior privilegiado é o atleta porque minha vida toda como atleta eu treinei e me formei em função de um dia ser treinador.

AJ : Quais os atletas que trabalham com você em Londrina ?
MM : Eu tenho um projeto em fase inicial, que era um sonho de toda minha vida, que é montar um local aonde eu possa trabalhar com meus atletas. Com o técnico trabalhando junto com o atleta, o desempenho é 2 vezes melhor do que eles treinando sozinhos. Inclusive estou treinando também quenianos que estão vivendo aqui e treinando comigo.

AJ : Qual o lado positivo e negativo de trabalhar com pessoas que vieram de classes mais baixas ?
MM : É a vontade de vencer deles e a genética, pois somos um país de mescla de raças e por tudo que conheço do mundo somos entre os 3 melhores em qualidade genética. Mas nossa dificuldade é grande pois a formação destes atletas é precária em termos de alimentação e formação psicológica por isso eles requerem um trabalho de muitos anos.

AJ : Qual é a sua opinião sobre a Maratona do Rio deste ano ?
MM : Faltaram pontos de referência. Por exemplo faltou um hotel para atletas de elite, o que é indispensável. Faltaram também outros detalhes que são importantes para o atleta, de um modo geral faltou mais respeito ao corredor.

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