Musculação para pessoas com necessidades especiais

Tenho atuado em setores de musculação em academias desde o início da década de 1980, mais precisamente de 1982 até a presente data. Por meio da observação permanente sobre o corpo discente no interior das academias, onde tenho ministrado aulas e treinamentos contra resistência, não raro, sempre me deparo com a presença de alguma pessoa portadora de deficiência física ou com necessidades especiais.

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Apesar de estar aumentando permanentemente no país e no mundo, o número de pessoas portadoras de deficiências físicas, adquiridas principalmente por meio dos traumas, que são provocados por acidentes automobilísticos, ferimentos à bala, arma branca ou acidentes no trabalho, é intrigante a participação pouco expressiva desta população, na prática da musculação em academia.

Os projetos que visam à integração social dos portadores de deficiências, por meio de atividades esportivas, comumente são voltados para a prática de esportes como basquete, natação, tênis, atletismo etc. Quando atletas portadores de deficiências físicas procuram orientação para praticarem musculação, é porque foram encaminhados ou indicados por seus técnicos, que estão envolvidos no treinamento do esporte praticado ou seja: foram conduzidos ou convencidos por profissionais de Educação Física, que possuem conhecimentos técnicos superiores ou especializados.

A pouca consciência sobre a importância da prática de atividades físicas e, principalmente o baixo conhecimento sobre os benefícios da musculação, são as falhas graves do processo educacional que atingem grande parte da sociedade e, provocam o distanciamento da prática de exercícios físicos de uma forma geral.

Ainda permanecem mitos que foram enraizados durante décadas. A má informação e o desconhecimento que inclusive são disseminados, até por profissionais de saúde a respeito de possíveis interferências negativas sobre o crescimento longitudinal dos jovens, são evidentes. Constato com freqüência a preocupação de pais e responsáveis sobre o presente tema polêmico, que se tornou uma verdade para os indivíduos leigos e desprovidos de informações cientificas comprovadas e atualizadas.

A musculação beneficia o trabalho com grupos heterogêneos de indivíduos, promovendo a saúde por meio dos aumentos de massa óssea, massa muscular, redução de gordura corporal, fortalecimento de tendões e ligamentos, melhoria sobre a maior parte dos aspectos do envelhecimento.

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As faixas etárias que encontramos nas academias de musculação são as mais variadas, indo desde os primeiros anos da adolescência, até a terceira idade. Não importa para a prática dos treinamentos contra resistência o gênero, a escolaridade ou estado atual de condicionamento físico. A realidade, é que, há uma heterogeneidade vigente nas salas de aulas ou treinos. 

O Brasil já pode ser considerado um país velho, pelo fato de possuir um volume de pessoas na terceira idade que atingiu um total de 7,1% da população. A Organização Mundial de Saúde (O.M.S.) considera um país envelhecido quando a população idosa atinge 7% do seu total. O Brasil até o ano de 2025, terá um crescimento da faixa etária a partir dos 60 anos, que somará 14% da população e, deverá estar na 6a colocação do ranking mundial populacional, perfazendo um total de 34 milhões de idosos; I.B.G.E, 2004. 

As lesões e seqüelas adquiridas ao longo da vida são bem visíveis na maturidade, as doenças crônicas e degenerativas como diabetes, artrite, osteoporose, doenças cardíacas dentre outras, também não são empecilhos para a realização de treinos contra resistência. Apenas adaptações e o respeito às limitações impostas por doenças e que devem ser observadas e tratadas com seriedade. Impor limitações e afastamento das atividades físicas sem uma base sólida, analisada cientificamente por uma equipe multidisciplinar é, simplesmente uma atitude de total irresponsabilidade profissional e desrespeito ao individuo .

Um aspecto característico da musculação é sua aplicação como coadjuvante no processo de identificação e tratamento, visando a correção de problemas de postura, e ou estruturas corporais deficitárias, observadas por meio da escoliose, cifose e lordose acentuadas, que em vários aspectos são agravadas pela pouca mobilidade articular, encurtamentos de cadeias musculares, falta de força e por um volume de massa muscular pouco suficiente. Estas doenças muitas vezes desenvolvem-se durante a infância e adolescência e só serão diagnosticadas muito tarde, na idade adulta ou avançada. Mesmo após anos de inatividade do individuo, conseguimos elevar o estado de condicionamento físico e melhorar a qualidade de vida, inclusive de pacientes com doenças crônicas e incuráveis, por meio da atividade física e musculação.

Tenho encontrado todos os anos um número bastante elevado de jovens com problemas de baixo peso corporal, níveis mínimos de força, e má postura. Conseqüentemente os indivíduos e os pais são notificados e conscientizados, para a necessidade de encaminhamento aos consultórios médicos e nutricionais competentes.

A musculação clássica enfrenta aspectos problemáticos, como visto nos vários parágrafos acima. A presente situação vivenciada por profissionais de musculação, é simplesmente gerada por má informação e ou pouco conhecimento, sobre os reais benefícios que a atividade contra resistência pode proporcionar. Podemos esperar com certeza, que a atual e persistente deficiência, a carência de conhecimentos e atitudes práticas, atinjam também em cheio, as pessoas com necessidades especiais. 

A situação atual de ineficácia de grande parte dos programas de "inclusão social", que não atingem a maior parte dos cidadãos que necessitam, sejam eles deficientes ou não, acredito ser em parte, causada por falta de um corpo de profissionais com formação técnica variada ou multidisciplinar. Encontramos na maioria das vezes um total despreparo técnico por parte dos responsáveis, que atuam nos órgãos promotores ou executivos de tais projetos.

A falta de geração de idéias, a deficiência de atitudes tecnicamente conscientes para a implantação de políticas públicas concretas e eficientes, para disseminar e incentivar por meio de um processo eficaz, no direcionamento das pessoas à prática regular e permanente de exercícios físicos, são evidentes na atualidade.

Tenho observado anos a fio, que apenas a interferência de políticos intencionados somente em aparecer momentaneamente, não resolve a situação de inércia física ou inatividade da população, a qual bate recordes no crescimento da obesidade, do consumo de sanduíches e refeições rápidas e desequilibradas, de bebidas alcoólicas, de tabaco, de drogas sociais e anabólicas. Dentre outros, estes são agravantes que promovem o sedentarismo populacional. Como conseqüência somos atingidos por meio do comprometimento do equilíbrio ou integridade da saúde, desde seu aspecto físico, passando pelo social e finalizando nas doenças mentais e violência generalizada. 
Os deficientes físicos sejam eles andantes ou em cadeiras de rodas, ou mesmo os deficientes visuais e auditivos, podem e devem ser submetidos aos trabalhos de treinamento contra resistência. É uma necessidade humana o treinamento para angariar força, massa muscular e interagir por meio do convívio social.

Mesmo quando a limitação dos movimentos corporais for muito grande, nesses casos as adaptações dos exercícios nas máquinas de musculação, tornam-se ainda mais importantes e devem ser aplicadas por profissional de Educação Física com habilitação e conhecimento técnico suficiente. 
Nos casos de praticantes de musculação deficientes visuais, torna-se prioritário, nesse momento a atuação do profissional de Educação Física como treinador personalizado, para auxiliar e acompanhar mais de perto ou exclusivamente o aluno, no desenvolvimento do treino em sala de aula. A presente situação é uma justificativa plausível para a atuação do profissional como personal trainer, treinador pessoal ou particular. 

Os indivíduos portadores de deficiências, devem ser ajudados sempre que necessitarem, deve-se lembrar que a deficiência não pode ser o motivo, para que este indivíduo receba atenção diferenciada ou tratamento especial. A ajuda para a realização dos exercícios deve ser adaptada e dentro das condições pessoais. Os deficientes físicos são capazes de realizar inúmeras tarefas de treinamento, bastando apenas uma adaptação para tal desempenho. O mesmo vale para todos os outros praticantes, ou seja: a ajuda só deve ser aplicada quando estritamente necessária para a realização dos exercícios.

Como exemplo da possibilidade de feitos físicos inimagináveis por parte dos seres humanos, devemos recordar e exaltar a participação dos atletas nas Para-Olimpíadas, que demonstram sempre, para todo o mundo, a possibilidade de realização dos mais variados tipos de provas desde o atletismo, o futebol, a natação etc, com uma precisão fantástica.

Como visto em partes do texto acima, as particularidades, as necessidades, a individualidade, os grupos, os direitos e garantias, as realizações, a assistência, a educação e cultura, o respeito, a prática esportiva, o trabalho, são algumas das necessidades visíveis de toda a espécie humana. 
Quais são as pessoas com necessidades especiais? Acredito neste momento ser muito difícil fazer tal distinção.

Um abraço !

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Créditos:
Texto copyright © por Luiz Carlos Chiesa
Profissional de Educação Física - Registro CREF1/ES- N.º 000069
Autor dos livros:
Musculação: uma proposta de trabalho e desenvolvimento humano, Espírito Santo: Editora da U.F.E.S, 1999.
Musculação: Aplicações práticas – Técnicas de uso das formas e métodos de treinamento, Rio de Janeiro: editora Shape, 2002.

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