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Quando o Barão Pierre de Coubertim em 1894 recriou os Jogos Olímpicos na esperança de que o evento não fosse usado para promover sistemas de governo ou qualquer manifestação política não esperava que as grandes nações fossem fazer exatamente o contrário.
Já em Atenas-1896 os atletas alemães mesmo com onze medalhas foram expulsos da Associação Alemã de Ginástica por competir ao lado dos inimigos franceses.
Em Paris-1900 os jogos foram paralelo a uma Exposição Universal que rendia dividendos políticos maiores que as Olimpíadas. Além de planejaram distribuir prêmios em dinheiro a alguns vencedores afrontando a Coubertim.
Quatro anos depois o troco. Os Estados Unidos fizeram o mesmo realizando o evento paralelamente à exposição “World’s Fair” além de desafiar o barão com a iniciativa denominada “Antropological Days”, competição entre índios, negros e mestiços.
Foi assim até culminar com o grande fato político de Hitler nos jogos Olímpicos de Berlim-1936 querendo provar a supremacia da raça ariana perseguindo cruelmente judeus e discriminando os negros tendo que se retirar do estádio para não cumprimentar o campeão americano Jesse Owens.
Além disso, sua demagogia e cinismo foram ainda mais longe quando tentou mostrar aos visitantes estrangeiros que sua perseguição aos judeus fazia parte de campanha difamatória internacional contra a Alemanha ordenando que toda animosidade aos judeus residentes no país fosse evitada. Chegou até repatriar atletas com origem judia.
Depois da 2ª Guerra Mundial a situação parece ter piorado até por conta das nações inimigas. Em Londres-1948 a Alemanha e o Japão não foram convidados assim como Israel politicamente pressionado pelos Árabes.
Melbourne-1956 foi a Olimpíada dos protestos. A Espanha, Dinamarca e Suécia abandonaram os jogos em represália à União Soviética ter invadido a Hungria um ano antes. O Egito, Líbano e Iraque manifestaram contra a Inglaterra e França por ter tomado o canal de Suez. A delegação da República Popular da China ausentou-se ao ver hasteado, na vila Olímpica a bandeira de Formosa (China Nacionalista).
Nas piscinas de Melbourne travou-se uma batalha de pólo aquático entre Hungria e União soviética culminando com o abandono dos russos, pois as águas não conseguiram esfriar os resquícios da batalha de Budapeste quando os tanques russos invadiram a capital Húngara.
A partir de 1960 quando a televisão passou a transmitir os jogos Olímpicos, primeiramente para a Europa, as nações visualizaram uma grande chance de protestar ainda mais para uma platéia ainda maior.
Em Tóquio-1964 a África do Sul foi proibida de participar por adotar a política do “appartheid”. A Coréia do Norte e Indonésia não foram a Tóquio porque a Natação Amadora e a Federação Internacional de Atletismo Amador impediram que atletas participantes do GANEFO (Games of the New Emerging Forces) disputassem a Olimpíada da capital japonesa. O GANEFO era uma manifestação político-desportiva ocorrida um ano antes em Jacarta.
No México-1968 quem não se lembra dos punhos cerrados de dois atletas negros norte-americanos no pódio dos 200 metros rasos numa saudação de protesto em favor do movimento denominado “Black Power” contra a política racista dos Estados Unidos?
Atletas do mundo inteiro se preparam durante quatro anos para fazer bonito nas Olimpíadas e fazer tremular com orgulho as cores da bandeira de seus países totalmente desprovidos de posições políticas, pois defendem acima de tudo o mais puro sentimento Olímpico criado por Coubertim. Os dirigentes é que até hoje não entenderam que política e esporte não se misturam e não adianta “tapar o sol com a peneira”. O esplendor da abertura das Olimpíadas na China não apaga a questão Tibetana e o regime autoritário reinante no país onde qualquer um que ousar falar mal do governo ou criticar pode “sumir do mapa”. Até a imprensa estão tentando censurar, mas com o advento da Internet isso é impossível. Os primeiros protestos já começaram com a delegação dos Estados Unidos defendendo o uso de máscara contra a poluição da China. Estão mesmo preocupados com a saúde dos atletas ou será uma afronta contra o governo chinês? Eles pediram desculpas, mas o mal já estava feito.
Cartas para:
lcmoraes@compuland.com.br
Para Refletir: “Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com um pão, e, ao se encontrarem, trocarem os pães, cada um vai embora com um. Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com uma idéia, e, ao se encontrarem, trocarem as idéias, cada um vai embora com duas”. Provérbio chinês.
Sobre a Ética – Os problemas pessoais dos clientes morrem com os profissionais de saúde e o sacerdote.
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