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O constante aumento da violência nas grandes cidades está cada vez mais alarmante. São seqüestros, estupros, assaltos, agressões físicas, morte de familiares ou pessoas próximas por balas perdidas. Todos esses fatos são presenças diárias nos noticiários. Por isso, a médica e psicanalista Soraya Hissa de Carvalho faz um alerta e explica tudo sobre o Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT).
A médica afirma que o conceito está intimamente ligado a um tipo particular de vivência traumática, como as citadas acima. “Nos dias de hoje, está bem estabelecido o fato de que populações urbanas são acometidas pelo
Transtorno de Estresse Pós-traumático devido a uma variedade de exposições a eventos traumáticos”, diz a psicanalista.
Segundo Soraya, o
Transtorno de Estresse Pós-traumático é classificado como um transtorno de ansiedade, e como tal, caracteriza-se por comportamentos inadequados a estímulos que não representam perigo real. “Este transtorno está relacionado à ocorrência de algum evento traumático de grande intensidade no passado. Tais eventos podem ter sido situações que representaram um evento real de ameaça ou atentado contra a integridade física da própria pessoa ou de outra de sua convivência. Como exemplo, pode-se citar acidentes de carro, catástrofes naturais e atos de violência urbana”, exemplifica ela.
A psicanalista conta que quando se experiencia um evento traumático, há um acúmulo das reações comportamentais e emocionais da pessoa com os estímulos presentes (lugar, objetos, contexto, hora do dia, um tipo físico). “Assim, situações similares passarão a desencadear as mesmas reações que as pessoas viveram naquele momento. Essas situações que relembram o ‘trauma’ são marcadas por intenso medo, impotência frente à situação, sentimento de desamparo ou desespero”, relata Soraya.
Segundo ela, observa-se nos quatros
Transtorno de Estresse Pós-traumático a re-vivência/re-experiência do evento traumático (sonhos, flashbacks, imagens, pensamentos), mantendo-se sempre em estado de alerta, com dificuldade de concentração, sentimento de culpa, e evitação de lugares, situações e até pessoas que se assemelhem ou simbolizem o evento.
A médica ressalta um prejuízo significativo na vida das pessoas com TEPT. “Há um custo elevado para a interação social, o que afeta diretamente o funcionamento da vida da pessoa. As pessoas que desenvolveram o transtorno, normalmente, se isolam, evitam contatos sociais, apresentam dificuldade no trabalho, muitas vezes devido a sua dificuldade de concentração”. Para Soraya, outros problemas comportamentais podem ser observados como conseqüência ou simultaneamente ao
Transtorno de Estresse Pós-traumático, como depressão, transtorno de pânico, transtorno obsessivo compulsivo, ansiedade generalizada, dentre outros.
Soraya Hissa afirma que a demora pela busca de um tratamento especializado pode agravar o quatro do
Transtorno de Estresse Pós-traumático e aumentar a incidência de transtornos relacionados. “A terapia é muito indicada para tratar o transtorno. Já o uso de medicamentos pode controlar a evolução do quatro, mas, se a pessoa não se expuser a novas situações e quebrar o ‘trauma’ das situações estressantes, ela pode continuar respondendo da mesma forma e apresentando os mesmos comportamentos”, finaliza a médica e psicanalista.
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